Notice: Function _load_textdomain_just_in_time was called incorrectly. Translation loading for the wordfence domain was triggered too early. This is usually an indicator for some code in the plugin or theme running too early. Translations should be loaded at the init action or later. Please see Debugging in WordPress for more information. (This message was added in version 6.7.0.) in /var/www/vhosts/amsbc.com.br/httpdocs/wp-includes/functions.php on line 6170
Acordo entre CNJ e instituições financeiras acelera bloqueio de contas de devedores – AMSBC Advogados

Acordo entre CNJ e instituições financeiras acelera bloqueio de contas de devedores

Em 11 de maio de 2026, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) firmou acordo com grandes instituições financeiras para aperfeiçoar o Sistema de Busca de Ativos do Poder Judiciário, conhecido como Sisbajud. A medida tem como objetivo reduzir o tempo de resposta às ordens judiciais de bloqueio de valores e aumentar a efetividade dos processos de execução.

A iniciativa integra o projeto-piloto de transição controlada do novo Manual do Sisbajud, aprovado pela Portaria SEP n.º 3/2026, que revogou a Portaria SEP n.º 2/2026. Entre as principais mudanças está a previsão de envio das ordens de bloqueio duas vezes ao dia, permitindo que as instituições financeiras respondam no mesmo dia útil.

O que muda com o novo Sisbajud?

Uma das alterações mais relevantes é a criação da chamada ordem de bloqueio permanente. Com essa funcionalidade, a ordem judicial poderá permanecer ativa por até 1 ano, ou por outro prazo definido pelo usuário do sistema, até que o valor indicado seja integralmente bloqueado ou até que a ordem seja cancelada.

Na prática, isso significa que depósitos futuros realizados em contas do devedor poderão ser bloqueados automaticamente, sempre até o limite estabelecido na decisão judicial.

Como funcionava o bloqueio de contas antes?

Na sistemática tradicional, a ordem de bloqueio tinha caráter pontual. O sistema realizava uma tentativa de localização de valores e, caso não houvesse saldo disponível naquele momento, a medida era encerrada.

Com isso, era necessária uma nova provocação no processo e uma nova autorização judicial para repetir a diligência. Esse modelo, muitas vezes, dificultava a satisfação do crédito e permitia que movimentações financeiras posteriores escapassem da constrição judicial.

Com a nova funcionalidade, amplia-se a capacidade de acompanhamento da ordem e reduzem-se os efeitos de eventuais movimentações estratégicas destinadas a frustrar a execução.

Modernização da busca de ativos pelo Poder Judiciário

O Sisbajud é a plataforma eletrônica que conecta o Poder Judiciário às instituições financeiras participantes. Por meio do sistema, juízes podem expedir ordens de requisição de informações, quebra de sigilo bancário, bloqueio, desbloqueio e transferência de valores.

A medida representa mais uma etapa de modernização dos mecanismos de localização e constrição de ativos, conferindo maior agilidade aos procedimentos judiciais de cobrança.

Segundo o CNJ, a alteração busca aumentar a efetividade e a transparência do sistema, além de permitir respostas mais detalhadas pelas instituições financeiras sobre os ativos atingidos.

Impactos para credores e devedores

Para os credores, a mudança tende a elevar as chances de satisfação do crédito, especialmente em execuções nas quais o devedor não possuía saldo disponível no momento da primeira tentativa de bloqueio.

Para os devedores, a alteração reforça a necessidade de acompanhamento processual adequado e de atuação tempestiva para demonstrar eventual excesso de bloqueio, impenhorabilidade de valores ou inadequação da constrição.

Isso é especialmente relevante em situações envolvendo verbas de natureza alimentar, salários, aposentadorias, benefícios ou outros valores protegidos pela legislação.

Quais instituições participam do projeto-piloto?

O projeto-piloto conta, inicialmente, com a participação das seguintes instituições:

  • Banco do Brasil;
  • Caixa Econômica Federal;
  • Itaú Unibanco;
  • Nubank;
  • XP Investimentos.

A implementação ocorrerá de forma progressiva, com acompanhamento técnico e validação das novas regras operacionais antes de sua expansão ao restante do sistema financeiro.

Além de contas correntes e poupanças, o novo fluxo poderá alcançar ativos mantidos nas instituições participantes, incluindo aplicações financeiras e contas de pagamento, sempre observados os limites da ordem judicial e da legislação aplicável.

Impactos práticos do novo modelo

O acordo entre o CNJ e as instituições financeiras representa um avanço importante na modernização da execução judicial no Brasil. Ao permitir respostas mais rápidas e a manutenção da ordem de bloqueio por período prolongado, o novo modelo do Sisbajud tende a tornar mais eficiente a localização de ativos e a satisfação de créditos reconhecidos judicialmente.

Por outro lado, a ampliação da efetividade dos bloqueios também exige atenção redobrada dos devedores, que devem acompanhar o processo e apresentar defesa adequada sempre que houver bloqueio indevido, excesso de constrição ou valores legalmente protegidos.

Vitor Henrique Mainardes – Especialista em Direito Civil e Empresarial pela PUC/PR e advogado no escritório Alceu Machado, Sperb & Bonat Cordeiro Advocacia.

Mais conteúdos